Avalanche

 
Última edição - 1946

Avalanche

Avalanche

De um romance, de uma novela nunca se pode dar informações concretas, pois a sua grandeza não é coisa que se condense, que se resuma, ou que se aprecie num voo rápido que muito pouco fixa e muito pouco guarda de maneira duradoura. A obra de ficção tem a complexidade da vida. E o resultado de uma amálgama de fatos e acontecimentos contraditórios, de paixões desencontradas, de dores, de alegrias, de delírios, de recalques, que fica valendo pelo seu todo, pelo seu conjunto. Informar exatamente a natureza de um romance - as suas tendências marcantes e o seu desenvolvimento - é obra ingrata e inglória. De fato, só em termos de adjetivação é que é possível sugerir a um leitor o drama que se desenvolve nas linhas e nas entrelinhas de uma obra de ficção. O leitor como que, completa o seu desenvolvimento, liga, entrosa todos os incidentes essenciais que foram, da história criada, fixados pelo romancista. Dizer-se de um romance que ele é grande. Que é admirável o seu poder de convencimento e de emoção, que é Belo o seu argumento, etc. Etc... É que vale muitas vezes a dele se apresentar um completo cartão de visitas. Aliás, mais eficiente do que um relatório que pretendesse fixar no mínimo de páginas toda uma obra que o ator não pode fazer por menos de trezentas ou quatrocentas páginas... “Avalanche”, de Kay Boyle é uma novela que ilustra bem o que aqui se vem expondo, pois trata se de uma novela cuja grandeza, cuja capacidade de comover e de interessar o leitor e cuja dramaticidade não podem ser reduzidas a uma das poucas palavras fias, quase mortas. Poucas novelas tão ricas de sentimento humano como avalanche terão sido escritas nos últimos anos. Nela a vida é criada de modo apaixonante, uma vez que nas suas páginas empolgantes transitam amor e espionagem, ódio e traição, prazer e dor, transita a vida da mesma, com toda a sua caravana humana. Com todos os avanços e recuos de uma caravana que, de fato, não sabe nunca para onde vai. Avalanche marcará época e permanecerá perenemente no espírito de todos os que incorporem o seu drama as suas memórias e experiências de quem Kay Boyle, sua autora e uma notável escritora norte-americana, será em breve, entre nós, um nome repetido e admirado. Na verdade, não se pode escrever uma novela como “Avalanche”, sem se possuir uma inspiração privilegiada em uma inteligência de exceção.


Nas categorias: MALUH DE OURO PRETO