Dom Pedro II - História

 
Última edição - 1977

Dom Pedro II - História

História e Dom Pedro II - 1825/1891 - Ascensão 1825/1870

É clássica a divisão que se faz da história do Segundo Reinado do Brasil: ascensão, fastígio e declínio. Mas esta divisão só atinge a fase em que Dom Pedro II exerce, de fato, o poder: da Maioridade, em julho de 1841, à República, em novembro de 1889. Foram 49 anos e 4 meses refeitos de episódios, lutas internas, mudanças intempestivas de gabinetes, períodos de esplendor interno e externo, surgimento de grandes nomes na política, nas letras, nas artes, no jornalismo, no parlamento. Mas não foi somente a longa duração que fez do Segundo Reinado um período de máxima importância para a evolução cultural do Brasil. Nem foram apenas os grandes nomes de políticos e artistas. Não foi só a Guerra do Paraguai ou a Questão Christie. Não foi o lento florescer da ideia republicana ou a extinção da escravatura. Além e acima de todos os fatos, estava a figura de Dom Pedro de Alcântara, um monarca extremamente singular na relação dos monarcas de todos os tempos e latitudes. Sua singularidade já se faz sentir no modo pelo qual assume o trono. Tendo nascido a 2 de dezembro de 1825, do casamento de Dom Pedro I, a quem o historiador do presente livro define como uma “soma de predicados opostos, que o tornavam um dos homens mais contraditórios de seu tempo ” - (o que faz, diga-se de passagem, de Dom Pedro I uma das mais fascinantes figuras da História Moderna, como tão bem fixou Otávio Tarquínio de Sousa, em sua hoje clássica biografia do primeiro Imperador) — com Dona Leopoldina, “contraste do marido ” , de “natureza enfadonhamente igual, — monótona, triste, árida, como uma longa planície despovoada ” , pela Abdicação, aos 7 de abril de 1831, assume o poder com apenas 5 anos de idade. Os fatos são por demais conhecidos para que os repitamos aqui: não a podia exercer em plenitude, daí advindo o conturbado período regencial. A solução para as crises que se sucediam era fazer do “menino- •Imperador ” o “Imperador de fato ”. Isto se daria apenas em 1843, quando atingisse os 18 anos exigidos pela Constituição Imperial. Mas Pedro II sobe ao trono com pouco mais de 14, segundo episódio que se tornou his ­ tórico e mesmo lendário. Heitor Lyra desfaz, com excelente documentação, aliás um dos pontos altos desta obra, a história do “Quero já ”. O menino-imperador não queria nada além do que estava em vigor. Foram as tra ­ mas de que está cheia a história política de todos os povos que determinaram o assen ­ timento de Dom Pedro de Alcântara. Começa aí o Segundo Reinado pro ­ priamente dito. A primeira fase seria, assim, de 1840 a 1870. Não menos conturbada que a Regência, tanto que a principal atuação do jovem Imperador, que teve a felicidade de receber mentores de alto gabarito, enquanto não os pôde escolher ele próprio, foi a de convocar, já livre e espontaneamente, quan ­ do lhe adveio este poder, outros grandes do Século XIX, dos quais o Brasil foi magnifi camente aquinhoado, para o ajudarem na difícil tarefa que lhe era imposta. . Aqui está, neste I o volume da História de Dom Pedro II, o relato admirável, rigorosamente fiel, do nascimento, da tutela, da maioridade e dos trinta primeiros anos de governo do bom monarca. Foi realmente uma ascensão. Viria o fastígio, de que nos dirá o volume seguinte. Lido o primeiro, não há como não nos interessar ao máximo por ver como prosseguiram os eventos, narrados e comentados com pena do mestre que foi Heitor Lyra, nascido em Recife, no ano de 1891, e falecido em Lisboa, em 1973. Da organização, anotações e prefácio dos volumes que compõem a Vida de Dom Pedro II, incumbiu-se Alexandre Eulálio, nome que se impôs por trabalhos deste gênero. Neste particular, dá-nos modelar e sucinta biografia de Heitor Lyra e chama nossa atenção para a objetividade da obra, sem embargo da abertura espiritual do diplomata em face de posições contrárias às suas. A mesma empatia que havia entre o historiador do Segundo Reinado e Dom Pedro II há entre o prefaciador e o biógrafo, sem que isto, em nada, altere o rigor histórico e a lucidez da exposição. Assim, pois, a contribuição de Alexandre Eulálio confere um valor excepcional a esta reedição de um dos clássicos da História do Brasil, pela Editora Itatiaia e a Editora da Universidade de São Paulo, na Coleção "Reconquista do Brasil ”. - João Etienne Filho


Nas categorias: LIVROS ÚNICOS, PRESIDENTES DO BRASIL